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Com exaustiva freqüência
dois temas costumam ser mencionados ao se
abordar os problemas sociais da juventude: o
do desemprego e o da violência. Já no ano
de 1993, o Instituto de Planejamento Urbano
de Florianópolis (IPUF) alertava em relatório
(“Perfil das Áreas Carentes do Município”;
Florianópolis; IPUF; 1993; p 25) que cerca
de 12,6% da população vivia sob condições
extremamente precárias, identificadas em vários
“bolsões-populacionais”. Nestes locais,
cerca de 70 % das famílias têm renda média
entre zero e três salários mínimos. Essas
áreas, além de carências sócio-econômicas,
apresentam problemas de habitação,
infra-estrutura sanitária e de equipamentos
urbanos. No ano de 2004, dados do
IBGE informavam que a região da grande
Florianópolis é habitada por 755.000
pessoas que aqui trabalham e vivem. Dessa
população, mais de 76.000 são morador@s
das 84 áreas empobrecidas da região.
Nestas 84 áreas, @s jovens na faixa de 16 a
24 anos somam aproximadamente 13.600
pessoas. Grande parte dessa juventude
apresenta baixa escolaridade. Em torno de
48% não tem o fundamental completo e menos
de 6% completou o ensino médio. O
desemprego atinge, também, parcela
significativa dessa juventude (25%) e
somente 19% possui carteira assinada.
Esta realidade requer a
implantação de políticas sociais básicas,
voltadas para geração de emprego, educação
e profissionalização, como ferramentas
importantes para reverter essa situação.
Nesse sentido, o Centro
Cultural Escrava Anastácia (CCEA) optou por
uma atuação em rede para contribuir
significativamente com o processo
educacional e a inserção cidadã dessa
juventude. Para isso, articula-se a
entidades parceiras que atendem crianças e
adolescentes, na faixa etária de 6 a 14
anos, em horário oposto ao horário
escolar. Através do Projeto Travessia, o
Centro Social Marista, um desses parceiros,
são atendidas por ano 180 crianças e
adolescentes, oriundas da comunidade do
Monte Serrat e arredores. No CEDEP, outra
entidade parceira do CCEA, atuando no
continente, na região do Monte Cristo, com
as Oficinas do Saber, anualmente se atendem
em torno de 350 crianças e adolescentes. Na
comunidade do Morro do Mocotó, a ACAM, também
entidade parceira do CCEA, tem atendido a
200 crianças e adolescentes. No Alto da
Caieira, através do Centro Social Elizabeth
Sarkamp, outro espaço se encontra em fase
de finalização da construção. Aí serão
atendidas anualmente mais 200 crianças e
adolescentes.
Em relação à juventude,
o CCEA, em conjunto com outras entidades
executoras, coordena o Aroeira – Consórcio
Social da Juventude de Florianópolis e Região.
Em 2005/2006 foi realizada a capacitação
de 1200 jovens, em situação de extrema
vulnerabilidade social, na perspectiva da
geração de trabalho, emprego e renda. A
partir da formação oferecida pelo Consórcio,
40% dess@s jovens foram encaminhad@s ao
mercado de trabalho.
Em 2006/2007, mais 1000
jovens participam do Aroeira 2,
complementado nas possibilidades de
acompanhamento e inserção por outros
projetos do CCEA, como o Aventura Esportiva,
Jovem Aprendiz, Frutos do Aroeira e a
Incubadora Popular de Cooperativas (IPC).
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